Ontem, numa sessão de coaching com um dos fotógrafos que acompanho, ele comentou que estava numa certa crise de identidade. Após alguns meses trabalhando juntos, depois das sessões de críticas e avaliações dos trabalhos realizados, mudanças ocorreram. Ele mudou e consequentemente a sua fotografia mudou.
Seu último trabalho foi um pouco mais difícil. A grande questão agora era, ele já sabia como não queria fotografar, mas estava perdido em achar a própria identidade, seu estilo em como fotografar. Quem eu sou, para onde vou?
Essa busca da própria identidade e do próprio estilo não é tão simples, mas é tão intensa para alguns que pode tirar o sono. Confesso que essa busca já me perturbou muito. Eu já passei por isso e levou um bom tempo para que eu soubesse exatamente o que e como eu queria fotografar. Há alguns meses atrás me encontrei no estilo da minha pós-produção. E há poucos dias me vi mudando uma coisinha aqui e outra ali novamente.
A verdade é que não existe um ponto final. Nós fotografamos aquilo que nós somos e nós mudamos ao longo da vida. Vamos aprendendo e consumindo coisas novas. Lemos novos livros, conhecemos novos artistas, aprendemos a gostar de novas músicas, mudamos hábitos e passamos por experiências que certamente mudam a nossa forma de ver o mundo e consequentemente da nossa fotografia.
Fiquei feliz pelo meu coachee. Esse é um ponto importante. Para descobrir o que gostamos precisamos descobrir o que não gostamos. E a partir daí vamos caminhando em busca dessa identidade que vai mudando e talvez por isso seja tão difícil de encontrá-la.
O importante é continuar essa busca toda vez que você estiver cansado do que está produzindo. Essa constante insatisfação é o que nos move a não parar no tempo e criar algo diferente.
Se você está numa crise de identidade com a sua fotografia, não se preocupe. Faz parte do processo.
A foto é da minha Isa, com um ano e meio, em busca da sua identidade.

